And the Oscar Goes to….. Render Farms
Sábado fui ver Beowulf, pela segunda vez. No ano passado vi-o no formato normal. Mas neste sábado fui ver a versão 3D estereoscópica do épico dinamarquês de Robert Zemeckis. Não vou me ater às características do enredo, ou sobre o quão bem modelada em 3D ficou a “enhanced” Angelina Jolie. Isso os leitores terão de acompanhar nas telas do cinema enquanto é tempo, pois não vai dar para ter esse tipo de experiência em DVD.
A questão que abordo é o retorno do 3D ao cinema de Hollywood e as expectativas desta indústria sobre esta tecnologia. Nem todos viram um filme em 3D da forma antiga, mas todos já devem ter usado aqueles óculos com lentes azul e vermelha para visualizar uma imagem, que tinha como principal característica deixar você com cara de nerd.
Essa tecnologia, também estereoscópica, utilizava filtros coloridos para fazer com que cada olho visse uma imagem diferente. Estas imagens eram capturadas lado a lado, por câmeras sincronizadas e simulavam a visão dos olhos de uma pessoa. Uma delas era projetada em tons vermelhos e a outra em azulados. Como cada lente só permitia a passagem de uma dessas cores, os olhos acabavam vendo imagens diferentes e enganavam o cérebro fazendo-o pensar que na sua frente existia um objeto que se projetava para fora da tela.
Pela tecnologia da época, o menor erro de sincronia entre as duas imagens fazia com que nosso cérebro ficasse desorientado. O resultado é que as pessoas voltavam pra casa com dores de cabeça e enjoadas. Isso aliado ao fato de apenas filmes B terem sido lançados, ajudou a fazer com que o 3D dos óculos coloridos virasse sinônimo de filmes ruins dos anos 50.
Com os avanços da projeção digital, o 3D voltou a ser uma opção muito interessante para estúdios querendo rivalizar com TV, internet e videogames. A tecnologia de hoje não utiliza mais filtros coloridos para fazer com que cada olho veja uma imagem diferente. A solução hoje é o uso de lentes polarizadas que só permitem a passagem de luz polarizada numa única direção. Assim, projetam-se sobre a tela duas imagens sobrepostas, uma com luz polarizada na vertical e outra na horizontal. Cada lente deixa passar a luz de acordo com a polarização e voilá, temos imagens coloridas e diferentes vistas por cada olho.
Ok, basta de blá blá blá de geek. O que importa aqui é que os filmes lançados em 3D nos últimos anos vêm faturando e faturando muito. “Chicken Little”, por exemplo, o primeiro filme em 3D lançado pela Disney em 50 anos foi lançado em 2005 em 100 salas digitais com 3D. Cada uma destas salas faturou, em média, 3 vezes mais que uma sala de projeção sem 3D. O filme o Expresso Polar, em 2004 teve um quinto do faturamento advindo das projeções 3D em salas Imax. Muito embora estas salas correspondessem apenas a 2% do total.
Enfim, a audiência já demonstrou que quer filmes em 3D e, obviamente, Hollywood não vai os deixar na mão. Enquanto escrevo esse texto Beowulf 3D está em cartaz e, no mínimo outras 5 grandes produções estão sendo produzidas
• Journey 3-D – Primeiro filme em 3D a se utilizar das câmeras estereoscópicas inventadas por James Cameron (sim, o do Titanic).
• A Christmas Carol – Uma produção de Zemeckis em 3-Dickens para a Disney.
• Coraline – uma Produção da Universal com Dakota Fanning.
• Monsters vs Aliens – Dos criadores de Shreck 2 e Shark Tale.
• Avatar – Ficção científica de USD195 milhões de James Cameron.
Além disso, mestres como Spielperg e George Lucas já declararam que pretendem filmar em 3D daqui para frente, o último anunciou que converterá a saga de Star Wars para 3D em breve. Estúdios como a DreamWorks Animation já anunciaram que a partir de 2009 todos seus lançamentos serão em 3D.
Com custos na casa dos USD25.000,00 (e caindo) para a adaptação de um projetor digital para 3D, os números de salas disponíveis no Brasil só fará aumentar. A previsão nos EUA é chegar a 4.000 salas em 2009.
O impacto do 3-D se fará sentir ainda mais fora das salas de cinema. A Samsung acaba de lançar uma HDTV com capacidade 3D. A Philips lançou outra no ano passado, com a vantagem de não precisar de óculos especiais. E você pensando que com a aquisição de um leitor BlueRay, ou HD-DVD, seu Home Theater estaria completo. ;-)
Mas com a chegada de dispositivos domésticos de visualização 3D novas aplicações surgirão. Programas de TV, Games, sites. Tudo passa a ser possível, tudo pode ser melhor experimentado em três dimensões. Aliás, corrijo, nem tudo, pois nem todo o 3D do mundo faria a programação da TV aberta de domingo melhorar. ;-P
É um admirável mundo novo e nós temos o privilégio de estar vivendo estes dias. As possibilidades são tantas que isso já é assunto pra outro artigo.
Leonardo Dias
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